Palavras com Sabor

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Armáguia

Metade arminho / metade águia

O Armáguia no inverno tem pelo branco, como o arminho, e na primavera tem pelo castanho e branco, como as águias. Uma característica interessante do Armáguia é que ele come os seus próprios ovos.
 
Gosta de meter inveja aos arminhos, por poder caçar o seu alimento, roedores, em pleno voo, com as suas belas asas revestidas de penas. O Armáguia vive feliz no cimo de pequenas montanhas e orgulhoso por poder dar os seus ovos aos seus filhotes. As águias morrem de amores por ele, ficam encantadas com a sua mudança de pelo, da primavera para o inverno. Só que a sua companheira, a arminho-fêmea, não gosta nada de ver as águias fazerem charme ao seu companheiro! E digamos a verdade: nem os seus filhotes armáguias gostam… Mas também quem é que gosta?
O Armáguia tem uma gestação muito longa, de nove meses, e tem quatro a nove crias por ninhada. O Armáguia dura, em média, dezasseis a vinte anos.
 
Mariana, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura da obra A Arca de Não É. Ou o guia dos animais que poderiam ter existido, com texto de Miguel Neto e ilustração de Julie Staebler]

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Coepolvo

Metade coelho / Metade polvo

O coepolvo tem de coelho as orelhas e as patas e de polvo a cabeça e os tentáculos. Este animal tem uma forma e uma cor que assustam os humanos quando o vão caçar.

O coepolvo pertence aos moluscos. Tem doze patas muito compridas e é revestido por pelos e escamas. Existem coepolvos domésticos e coepolvos selvagens, os quais acasalam e, por vezes, têm até dez crias ou mais. Deslocam-se deslizando na água. O coepolvo mede cerca de um metro e vinte centímetros, pesa quinhentos quilos e alimenta-se de outros animais marinhos. O coepolvo vive nas águas mais profundas do Oceano Índico e utiliza as algas para fazer a sua camuflagem.

João Paulo Silva (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura da obra A Arca de Não É. Ou o guia dos animais que poderiam ter existido, com texto de Miguel Neto e ilustração de Julie Staebler]

Tubaranha

Metade Tubarão / Metade Aranha

O tubaranha é uma mistura de tubarão com aranha, em que os seus membros posteriores são patas e os anteriores são barbatanas.

O tubaranha é um bicho que não é muito amigável, pois come todo o tipo de animais, desde peixes a insetos. Quando tem calor vai para a água e quando quer apanhar raios solares sai da água e começa a tecer uma teia, onde se deita como se fosse uma rede. Ele é revestido por pele com pelos, tem uma barbatana dorsal e oito patas. Os tubaranhas gostam de jogar futebol, pois a sua cauda é tão grande que não deixa entrar nenhum peixe-balão na sua baliza.

David Mendanha (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura da obra A Arca de Não É. Ou o guia dos animais que poderiam ter existido, com texto de Miguel Neto e ilustração de Julie Staebler].

Esquirafa

Metade Esquilo / Metade Girafa

A esquirafa tem corpo de esquilo e pescoço de girafa, com as manchas que a girafa possui.

A esquirafa é um animal muito interessante e inteligente, pois vive nas florestas mais perigosas do mundo e usa uma técnica muito comum, mas duma maneira extraordinária: a esquirafa, para além de se camuflar, de forma a passar despercebida, tenta procurar o cheiro do ambiente e confunde-o com o seu. A esquirafa tem o pescoço comprido como uma girafa, o qual é perfeito para detetar predadores à distância, e as suas manchas fazem enlouquecer os esquilos, que gostam de coisas exóticas.

Gonçalo Coelho (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura da obra A Arca de Não É. Ou o guia dos animais que poderiam ter existido, com texto de Miguel Neto e ilustração de Julie Staebler].

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Porcagaio

Metade Porco / Metade Papagaio
 
O porcagaio vive metade do ano na quinta e a meio de junho voa para a Amazónia.
 
Quando o porcagaio está na Amazónia, os papagaios ficam um bocado espantados por ele ter corpo de papagaio e focinho de porco, e gostar de rebolar na lama. Já na quinta, os porcos acham esquisito que o porcagaio durma no telhado do chiqueiro ou nos ramos das árvores, mas por outro lado acham-no interessante por ter umas lindas e coloridas penas iguais às do papagaio.
O porcagaio tem três ovos por ninhada, que levam cerca de um mês a incubar. O tempo de vida do porcagaio pode chegar aos cem anos. Medem cerca de cinquenta centímetros e pesam de quinhentos a mil gramas.

Oriana Branco (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura da obra A Arca de Não É. Ou o guia dos animais que poderiam ter existido, com texto de Miguel Neto e ilustração de Julie Staebler].

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Um dia na praia...

Um dia estava eu sozinho na praia a passear quando ouvi uma pessoa a chorar e a pedir ajuda. Eu estava a pensar: “Ninguém vem aqui porque está muito frio!” e ignorei a voz que ouvi, porque pensava que não era verdade. E fui para minha casa.No entanto, durante a noite, ainda ouvia a voz que não me tinha parecido real. Levantei-me em pijama e fui à praia, para ter a certeza de que a voz era real. Andei duas horas na praia à procura daquela voz. Até que disse: “Fogo! Duas horas a ouvir a voz e não encontro ninguém!”. Então subi para uma rocha muito alta para ver se a voz que ouvia era mesmo verdadeira.
– Ai, ai, ai! Caramba! Já estou a ficar muito cansado! Já são quase duas da manhã! – disse eu enquanto me sentava para descansar um pouco.
Quando acordei tinha um bocadinho de sangue na cabeça. Mas ao meu lado estava uma grande barbatana a bater-me na cara. E eu disse:
– Eh pá, para de me bater! Isso dói muito!
Quando a barbatana deixou de me dar chapadas, descobri que era uma sereia que estava magoada com uma corte muito grande e fundo. Fiquei muito triste e preocupado e fui a correr, muito veloz, buscar a caixa de primeiros socorros. Limpei-lhe a ferida, dei-lhe pontos e perguntei-lhe o nome. Chamava-se Linda. Perguntei se estava bem e ela disse que sim, mas que precisava de ir para a água do mar. Deu-me um beijo e atirou areia para a minha cara. Então desmaiei.
Quando acordei estava na minha cama e pensei que fora tudo um sonho.

Josh Gonçalves, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Uma amiga especial…

Era um fantástico dia de verão. Eu estava na praia, perto da minha casa. Os meus pais estavam em casa, e eu estava aqui, a brincar na água. De repente, ali ao longe, vi uma coisa azul. E não, não era o mar… Era comprida essa coisa que estava em cima da areia. Curiosa, fui lá espreitar. E por muito que pareça inventado, era uma sereia! Já tinha lido histórias de sereias em muitos livros, mas nunca tinha visto uma! Ela parecia um pouco magoada, e eu, preocupada, fui à beira dela e perguntei-lhe:
– Estás bem?
– Mais ou menos. Na verdade, estou um bocado magoada. Eu estava a brincar com uma piranharanha quando raspei a minha cauda numa pedra e agora dói-me. Podes ajudar-me? –perguntou ela.
– Claro que sim! Vou só a minha casa buscar os “medicamentos” – respondi.
E lá fui eu à casa de banho buscar os “medicamentos” e pirei-me. Só que, quando voltei, estava lá uma rapariga, mais ou menos da minha idade, de cabelos loiros e uns olhos tão bonitos que me faziam lembrar o pôr-do-sol. Foi então que reparei que ela também estava magoada na perna, como a sereia.
– Sou eu aquela sereia que estava ali deitada – explicou ela. – Quando eu estou muito tempo fora de água sem me molhar transformo-me em humana.
– Aaah! Também tinha lido sobre isso nos livros, mas agora que reparo, até que és parecida com a sereia – disse-lhe eu.
Tratei-a com os “medicamentos” e quando acabei ela perguntou-me:
– Posso ficar em tua casa? É que agora eu não tenho para onde ir e também não sei das minhas amigas.
– Claro que podes! Anda, vamos. Vamos perguntar aos meus pais! – exclamei eu.
Mal cheguei a casa perguntei aos meus pais se ela podia ficar e é claro que eles responderam que sim.
Fiquei muito feliz por ter corrido o risco de ir ter com a Lúcia, a sereia. Fiquei com uma nova amiga e um novo membro na família. Até o Bobi, o nosso pequeno cachorro da família, gostou:
– Ão! Ão!

Mariana Sousa, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A aventura em alto-mar

O barco navegava tristemente à procura de terra quando, pelo caminho, encontrou uma lontra-macho muito simpática, corajosa e bonita, que andava à procura dos pais.
– Quem és tu, pobre criatura? – perguntou o barco muito curioso.
– Sou uma lontra, chamo-me Miguel e ando à procura dos meus pais – respondeu a lontra tristemente.
– Bem, podes vir comigo. Talvez encontremos os teus pais pelo caminho – sugeriu o barco.
– Está bem – aceitou a lontra.
Pelo caminho foram-se conhecendo melhor. De repente as nuvens cinzentas taparam o sol, começou uma enorme tempestade e o mar ficou muito agitado.
Eles olharam para trás e viram um tsunami na sua direção. Quando o tsunami os engoliu eles desmaiaram.
No dia seguinte, de manhã, acordaram com o canto das gaivotas e o sol forte a bater-lhes na cara e assim continuaram o seu caminho até serem de novo surpreendidos por uma desagradável surpresa. Agora não foi uma tempestade, mas sim um tubarão. O tubarão nadava à volta deles. Mal o viram, pensaram em fugir, mas o tubarão não os largava. Logo a seguir apareceram os pais da sua amiga lontra que, quando os viram em perigo, chamaram reforços para apanharem o tubarão, e o tubarão fugiu com medo do enorme exército de lontras que ali se juntou.
O barco teve então de se despedir da sua amiga lontra, porque tinha de continuar o seu caminho à procura de terra.
– Adeus amigo, espero um dia voltar a ver-te – despediu-se o barco da lontra.
– Adeus – disse a lontra.
O barco seguiu em frente e, finalmente, um dia após a despedida, acabou por encontrar terra. Conheceu pessoas, fez novos amigos, arranjou uma casa, e até já tem um novo emprego.

Tiago Quintas, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora)

domingo, 17 de junho de 2012

A Aventura dos Míticos

Era uma vez um rapaz do povo da Idade Média que vivia um bocado mal. Ele era um rapaz de média estatura e um pouco magro, que queria sempre mais do que fazia e estava sempre a tentar passar os objetivos.
Certo dia lembrou-se que no topo da Montanha Tenebrosa havia uma gruta. Todos os homens que lá tinham tentado ir, nunca mais voltaram para contar o que havia na tal gruta. Com muita coragem disse a si próprio:
– Amanhã parto para a gruta!
No próprio dia desmontou a tenda e preparou a comida, a roupa e até armas para se proteger, como uma espada bem afiada. No fim arrumou tudo numa mochila e foi dormir.
No dia seguinte pegou na mochila e partiu. Para chegar à gruta passou pelo “País da Pedra”, onde vivia o Basilisco, por um grupo de Centauros, pelo labirinto do Minotauro, por uma manada de Pégasos, por uma floresta de Lobisomens e…, finalmente, a gruta. Mesmo antes de entrar ouviu um som que parecia o fogo a dar estalidos na lenha e, logo a seguir, veio um cheiro a queimado.
O homem, cheio de curiosidade, entrou na gruta.
– Mas o que estará lá dentro? – perguntou-se a si próprio, assustado com o barulho ameaçador.
Quando entrou viu uma ave, que estava quase morta e que faleceu logo a seguir. Ao fim de algum tempo, inesperadamente, a ave começou a arder e, num curto espaço de tempo, ficou em cinzas. De súbito, saiu uma espécie de relâmpago de fogo, mas em vez disso era uma águia de fogo. Era quente e cheia de chamas como o Sol e bela como a Lua. No início chamou-lhe Fire Eagle, mas depois escolheu outro nome, Fénix.
Foi quando a criatura começou a atacar com bolas de fogo. O rapaz ergueu a sua espada bem afiada, lutando corajosamente e esquivando-se dos ataques da criatura, chegando assim vivo ao fim da batalha. O rapaz venceu, por fim, e voltou todo contente para casa, trazendo uma pena da Fénix para que, sempre que a visse, se lembrasse da melhor batalha da sua vida.

Tiago Quintas, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O texto da Camila

Certa vez, dia quentíssimo, mas estranho, fui para a praia correr. O ar estava tão quente que abafava e o céu nem sei se estava cinzento ou preto…
A areia estava preta, o mar escuro e as pedras brilhavam mais do que nunca. Não sabia porquê.
Ao correr vislumbrei uma espécie de peixe gigante, o que era muito estranho. Fui acelerando cada vez mais o passo para descobrir o que aquilo era.
Reparei que era uma espécie de sereia. Tinha cabelo azul-marinho como a água dos mares das ilhas tropicais, tinha olhos como o mar, tinha a cara pálida como as nuvens. Nunca tinha visto algo tão bonito.
Curiosa, interroguei-a:
– Quem és tu?
– Eu-eu-eu sou a Estrelícia! – gaguejou ela.
– Não tenhas medo. Eu não te magoo – disse-lhe eu para a tentar acalmar. – Mas como é que vieste aqui parar?
– Acho, acho… Acho que não me lembro!
– Mas não vinha ninguém contigo?
– Sim, aquele tubarão! – apontou ela para o fundo do mar.
Mal ela acabou de dizer isto já tínhamos o tubarão à nossa beira.
– Mas-mas-mas ele não mor-mor-de? – assustei-me eu.
– Não, ela é muito calma!
– Olá! Eu sou a Berlindes! – exclamou a Berlindes. – Ora foi assim. Nós queríamos vir aqui ver os humanos, mas ao virmos na corrente do mar fomos contra um barco. A Estrelícia quase se afogava, mas conseguiu aguentar-se! Mais à frente vislumbramos umas ondas pequenas, que na verdade eram gigantes!
– Podias passar à frente?
– Porquê?! – perguntou a Berlindes.
– Porque está a ser muito interessante… – respondi.
– A sério?
– Não, totó, se não eu não te pedia para passar à frente! – gozei eu com ela.
– Não sejas má. Onde é que eu ia? Ah, já sei. Viemos aqui parar por causa de uma onda gigante. É por isso que ela tem assim a cauda em mau estado.
– Então vamos a minha casa, que eu trato-te da cauda – afirmei.
– Ok! Mas há um probleminha!
– Qual é?
– É que se eu estiver muito tempo fora de água fico que nem um sushi.
– Não há problema. Eu tenho uma banheira e ponho-te lá dentro. Não podemos é levar o tubarão!
– Eu não me importo! ­ – disse a Berlindes.
Então fomos a correr para casa.
Quando chegámos a casa, pu-la logo na banheira. Ao pô-la na banheira perguntei-lhe:
– Enquanto eu te trato da cauda, será que me podes falar do fundo do mar?
– Mas é claro! Depois de tudo o que tu fizeste por mim, é o mínimo que posso fazer por ti – riu-se a Estrelícia. – Então vamos lá falar do mar. O mar é o sítio mais lindo que o Homem conhece. Não há poluição nenhuma. A areia é da cor do meu cabelo, as pedras são rosas e até as algas são amarelas! Existem variadíssimas espécies de peixes, plantas e até bebidas diferentes. Os peixes nunca estão zangados: os peixes-balões incham, mas não é por estarem chateados, e há peixes com caras tristes, mas não é por estarem tristes, mas sim porque as caras deles são assim. Lá no mar é tudo lindo!
– Já está tudo pronto. Estás como nova – avisei-a eu. – Quem me dera viver na tua terra, mas não posso, pois tenho cá os meus amigos e a minha família e nunca conseguiria respirar debaixo de água!
– Obrigada! Já agora no fundo do mar existe um cientista que está a criar uma fórmula para que os humanos consigam respirar debaixo de água. Quando o Buoris conseguir acabar essa experiência, eu trago-ta cá acima para a tomares e depois poderás ir ver o fundo do mar, como tu tão desejas.
­– Ok! Agora vou levar-te para a água.
Fomos a correr para a praia, onde o pai dela estava à sua espera para a levar.
– Obrigado por teres cuidado da minha filha!
– De nada! Foi um gosto curar sua filha, Tritão! – disse eu ao Rei dos Mares.
– Gostei muito de te conhecer, Estrelícia!
– E eu a ti!
Mal ela acaba de dizer isto, ela, o Tritão e a Berlindes mergulham e vão para casa.
– Acabei mesmo tudo a horas de ir para casa!
Depois deste dia cansativo, finalmente, fui para casa comer.

Camila Neto, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora)

domingo, 10 de junho de 2012

O Finoscórnio

Certo dia, encontrei numa floresta o meu herói a lutar com um Ogre. O meu herói chamava-se Finoscórnio, era valente, inteligente e foi muito importante para a História de Portugal e para os Descobrimentos. Era uma das poucas pessoas que lutava com quem quer que fosse só para salvar alguém. Era admirado especialmente pelo povo de um país que foi muitas vezes salvo por ele, a Holanda.
Em todas as guerras ele montava o seu cavalo chamado Unicórnio. O Unicórnio era um cavalo com um chifre, que era falado nos livros da mitologia e que tinha o poder de proteger o homem contra o pior veneno. O meu herói adorava tanto, mas tanto montar nele que já nem se lembrava quantas vezes o fizera…
Um dia, Finoscórnio foi chamado para ir combater um grande monstro na Alemanha.
De pronto montou no seu unicórnio e, como sempre, dirigiu-se ao local da batalha. Demorou quatro semanas, mas, por fim, chegou ao seu destino.
Foi falar com o Chanceler, que era quem governava a Alemanha, e ele disse-lhe que lhe daria uma recompensa se Finoscórnio conseguisse derrotar o grande monstro que aterrorizava toda a Alemanha.
Quando Finoscórnio chegou ao lugar onde ia decorrer a grande batalha, ele viu que o monstro era diferente de todos aqueles que antes enfrentara. O monstro era feio e feroz, tinha um nariz maior que o chifre do Unicórnio, tinha uma boca igual à de uma formiga, uns olhos que pareciam de bruxa, uma verruga no seu gigantesco nariz e parecia estranhamente amaldiçoado.
Finoscórnio, quando viu tal monstro, pediu a Deus que o ajudasse naquela horrível e aterrorizante batalha. Para ele, aquela seria pior que a Batalha de Aljubarrota.
Então o meu herói preparou-se para a batalha: desembainhou a espada, colocou o seu capacete de ouro e foi em frente. Pela primeira vez o meu herói estava com um bocado de medo, mas não o queria admitir. Ao ver o monstro avançar na sua direção Finoscórnio cerrou os olhos e disse subitamente:
– Vais morrer!
Finoscórnio só dissera aquilo para se encorajar, como se se quisesse convencer de que iria mesmo matar aquela criatura, mas quando o monstro ouviu estas palavras ficou com tanto medo que fugiu a sete pés, sem dar luta, e nunca mais regressou àquele reino. Finoscórnio não percebeu muito bem o que acontecera, pois estava com os olhos fechados quando o monstro fugiu.
Dirigiu-se, então, ao Chanceler para pedir a prometida recompensa. A recompensa era um cavalo que pertencera a um valente homem que tinha vivido muitos séculos antes, o grande conquistador D. Pedro.
Finoscórnio recusou a oferta e disse que não queria nenhum cavalo a não ser o que ele já tinha.
Satisfeito pelo trabalho que realizara, voltou a sua casa, pensando em como era um verdadeiro herói, mesmo tendo tido medo do monstro. Mas isso era um pormenor que ninguém sabia…

Inês Lomba, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora)

O meu encontro especial

Num dia de nevoeiro, em que o sol pouco ou nada se via, as nuvens reinavam no azul do céu e as pessoas não queriam sair de casa, eu fiz uma coisa invulgar para dias como aqueles. Eu fui à praia. Caminhando junto a linha do mar, perdida nos meus pensamentos, ouvia a rebentação das ondas e sentia o cheiro a maresia.
Subi até ao pontão e, quase na ponta, sentei-me com o olhar na direção do infinito, pensando nos meus amigos que já não via há muito.
De repente ouvi um murmúrio… Seriam os búzios? Não, parecia um pedido de ajuda, aflito, leve, num tom agudo. Olhei a toda a volta. Foi então que vi uma figura humana numa rocha.
Fui lá ver. Subitamente, “pum pum”, dois relâmpagos rebentaram e começou a chover. Quando lá cheguei vi que era uma sereia, daquelas das lendas contadas pelos velhos marinheiros. Estava ferida, a esvair-se em sangue.
Sem nada dizer, fui buscar ligaduras e um penso à prova de água a uma cabana de surfistas, próxima da costa.
Quando cheguei lá a sereia disse:
– Obrigada, toma este colar que te ajudara. É um amuleto.
Peguei no colar, pousei-o na areia e coloquei-lhe a ligadura à volta da cauda. De súbito ouviu-se um trompete e a sereia voltou para dento de água. Mas primeiro perguntou-me o nome.
– Como te chamas? – perguntou.
– Inês, e tu? – voltei a perguntar, curiosa.
– Estrela – respondeu.
É daquelas amigas que nunca esquecerei. Agora vou todos os dias à praia procurá-la, mas nunca a encontro. Só pedras, búzios, conchas, areia, água e peixes.
Ah! Se a vires, diz-me…

Inês Malheiro, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora)

domingo, 3 de junho de 2012

As aventuras do Neblina Branca [da Mariana]

Era uma vez um barquinho que tinha participado numa regata. Todos os seus companheiros tinham naufragado, só ele se salvou. Mas o Neblina Branca estava tão triste que preferia ter naufragado com os seus amigos.
Eu já não sei para onde vou, alguém que me ajude…! – implorava, gritando o barquinho.
Passaram-se semanas… meses… e o barquinho continuava navegando sozinho e sem rumo. Até que um dia foi contra um iceberg… Abriu os olhos e avistou imensos blocos de gelo. Sentiu ainda que o clima, nesse lugar, era muito frio.
De repente, ele avistou uma baleia azul que ia a todo o vapor na sua direção!
O barquinho, com o susto, ficou paralisado. Só se salvou porque veio muito vento, que, subitamente, o arrastou para fora da boca da baleia. A baleia azul ficou chateada, pois estava com fome e perdera o seu almoço. Por causa dessa deceção, a baleia azul optou por ir procurar alimento noutro sítio.
O barquinho andava naufragado, outra vez, pelo mar Antártico. Olhou em sua volta e a única coisa que ele viu foi um arminho. Tinha a pelagem branca, era macho, e era pequeno e fofinho.
O barquinho estava contente e ao mesmo tempo assustado, era uma mistura de sentimentos. Ele não sabia se devia ir ter com ele ou não, pois o arminho podia ajudá-lo e, na pior das hipóteses, também o podia rasgar ou comer.
Mas o barquinho acabou por não ter tempo de escolher, o arminho foi ter com ele e perguntou-lhe:
O que é que um barquinho de papel está aqui a fazer? Precisas de ajuda? – perguntava inquietantemente o arminho.
Sim, preciso de ajuda. Estou perdido, não sei onde estou! – dizia aflito o barquinho.
Bem, quanto ao estares perdido, não te posso ajudar. Mas se queres saber onde estamos, bem, estamos na Antártida! – respondeu o arminho com orgulho por poder ajudar.
Muito obrigado, mas tu não és daqui, pois não? – perguntou o barquinho, que já se tinha apercebido que o arminho ia passar a ser o seu melhor amigo.
Não, não sou daqui, eu estou com uma tripulação que, por acaso, está mesmo a embarcar. Já sei! Queres vir comigo e com a minha tripulação? – perguntou o arminho entusiasmado com a ideia de ter um novo membro na tripulação.
OK, mas para onde é que a tua tripulação pensa ir? – interrogou-se o barquinho.
Bem, nós pensamos ir para a América do Norte, mais exatamente para o Canadá – respondeu o arminho.
Tripulação, todos a bordo! – gritou o capitão.
Credo, que susto! Este capitão assusta-me sempre – resmungou o arminho. – Então, vens ou não, barquinho?
Claro, entre ficar aqui a morrer de hipotermia a ir contigo à aventura é óbvio que escolho ir contigo! – exclamou o barquinho.
É assim mesmo, gosto de marujos corajosos! – dizia o arminho para o barquinho ouvir.
E lá foram os dois. O arminho tirou o barquinho da água gelada e correu para o barco com o barquinho nas patas.
A tripulação juntou-se e deu as boas vindas ao barquinho. No princípio o barquinho ficou envergonhado, mas depois correu tudo bem, até ao dia em que veio uma tempestade enorme e com trovoada. O barquinho, coitado, só ouvia o capitão a gritar:
Venham cá para dentro… Fechem o convés…
Assustado, o barquinho perguntou ao arminho o que é que se estava a passar:
Mas o que é que se passa, arminho? Vamos ao fundo, como o Titanic?
Não, nada disso. Aqui ninguém vai ir ao fundo, vai ficar tudo bem… – com a intenção de tranquilizar o barquinho, o arminho tentava que ele acreditasse que ia ficar tudo bem.
A tempestade era enorme, os trovões barulhentos, era assim a tempestade. O barco andava de onda em onda e tudo no convés abanava. Era a segunda aventura do barquinho, mas muito mais violenta do que a primeira. Cansado, o barquinho fechou os olhos e assim se manteve durante horas, temendo que aquela noite nunca mais acabasse, ou que tivesse ali um triste fim.
Acordou, depois, com umas gotas, incómodas, a caírem-lhe na proa. Já era de manhã e a tempestade tinha passado, os trovões tinham evaporado, e as ondas grandes tinham acalmado. O capitão exclamou, então:
Estamos em terra!
A tripulação, agitada, gritou:
Éééééééééhhhhhhhhhhhh…
O barquinho estava supercontente. Quer dizer, ganhou um amigo. Ia estar sempre com ele e ia viver uma aventura no Canadá.
Só que… Má escolha… Naquele país as pessoas estavam à caça de arminhos, por causa da sua pele maravilhosa. Pobre arminho…
Aaaaahhhhhhh… Não, ele não morreu! O barquinho, o capitão e os tripulantes foram embora a tempo. Mas não foram de barco, o capitão foi para o Alasca, onde não se caçam arminhos. Foi para lá de charrete.
E foi lá que o barquinho, o arminho e o capitão passaram o resto das suas vidas e o barquinho teve a oportunidade de assistir a três casamentos, o do arminho com a arminho, a do capitão Barte Lomeu com a cozinheira Isolda e, é claro, o seu casamento: “NEBLINA BRANCA” + “NEBLINA NEGRA”. E estes três casais viveram felizes para sempre.

Mariana, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura de um excerto da obra A máquina de fazer palavras, de José Vaz]

sábado, 2 de junho de 2012

Quando eu crescer... [da Inês Lomba]

Vou contar-vos o que eu imagino sobre o meu futuro aos 20 anos. 
Em primeiro lugar, gostaria de tirar o curso de Medicina e trabalhar em Paris, porque quando era mais nova essa era a cidade que eu desejava visitar, e depois gostaria de viajar pelo mundo inteiro. Gostaria de fazer novos amigos, e nunca me esqueceria da minha família. Quereria viajar com eles, porque não gosto de ficar muito tempo longe dos meus pais e dos meus avós.
Nos meus tempos livres gostaria de jogar futebol. Poderá ser de rapazes este desporto, mas também é o meu desporto favorito.
Também gostaria de me casar com uma pessoa inteligente, uma boa pessoa… Gostaria de ter duas filhas, porque gosto muito de meninas. Estou ainda na dúvida se gostaria de ter gémeas.

.....................................................................................Inês Lomba, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Neblina Branca [da Carolina]

— Força, força! Não se deixem vencer por essas ondas gulosas. Oh! Desapareceram todos, deixaram-me sozinho. Oh, que tristeza a minha… O Mar, sensibilizado com tamanha tristeza do Neblina Branca, acalmou a violência das suas ondas. Neblina deslizou suavemente e, subitamente, tudo parou:
— Que aconteceu? Que rocha tão grande! E mexe-se… — comentou Neblina Branca.
— Olá, barquinho!
— Ah, tu falas?!
— Não sou uma rocha, tontinho, sou uma tartaruga e chamo-me Rita. E tu?
— Eu sou o Neblina Branca, um barquinho de papel a navegar à deriva.
— Queres ajuda? Eu posso levar-te na minha carapaça.
— A sério?! Que bom! Obrigada.
E Neblina Branca continuou a sua viagem, todo contente. Tinha encontrado uma amiga e uma forma de viajar mais segura.
Rita era uma tartaruga de grandes dimensões, muito generosa e simpática. Também era inteligente, navegava como se tivesse uma bússola na cabeça. No entanto, acabou por chegar a hora mais difícil, a da despedida. Rita tinha de se ir embora, pois marcara um chá com as tias. E, mais uma vez, Neblina Branca seguiu sozinho a sua viagem atribulada.
De repente sentiu frio e reparou numa espessa nuvem que cobria os céus. Branca Neblina ficou aterrorizado.
— Encalhei, em algo frio e monstruosamente grande. Que será isto? É tão grande como uma rocha! E é branca… e até mesmo gelada.
— Eu não sou uma rocha, sou o teu maior medo. Sou um iceberg – disse a rocha gigante com ar zangado.
Neblina Branca, ao ouvir tal coisa, lutou ferozmente pela vida e conseguiu escapar, soltando um grito triunfal.
Cansado, adormeceu, vagueando pelos mares do Atlântico e do Índico. Mais tarde Neblina Branca acordou sobressaltado, e deu um salto atarantado.
— Que barulheira! Baixem a música! Que falta de respeito. Não conseguem ver que estou a dormir… Onde estou?! Quem é esta gente? E porque estão todos a olhar para mim?
A criançada, em especial, estava extasiada a observar o barquinho de papel, algo nunca antes visto, nesta ilha distante que é o Havai.
Uma mão carinhosa e ternurenta pegou nele com muito cuidado e disse:
— És o barquinho mais bonito com que eu já poderia ter sonhado! Que aventuras trazes para me contar?
E assim começou uma nova jornada do Neblina Branca.

Carolina Valentim, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura de um excerto da obra A máquina de fazer palavras, de José Vaz]

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Um barquinho [da Camila]

 O barquinho continuou a navegar pelo mar fora. Sentia-se mal por estar sozinho, mas também contente por ter sido o único dos barquinhos a ter sobrevivido. Pensava em tantas coisas ao mesmo tempo que parecia que a sua cabeça ia rebentar. Pensava nos amigos, no que lhe estava a acontecer e no que o dono podia estar a fazer.
Navegou, navegou, até que avistou um submarino. Entrou nele, pois estava ligado, e foi até ao fundo do mar. Enquanto tentava descobrir como se controlava o submarino avistou uma gruta.
Foi em direção a ela. Entrou, receoso, e parou para espreitar. Na gruta não via ninguém. Avançou, cautelosamente… O ouro e as joias saltavam-lhe aos olhos por serem tão brilhantes. No fundo da gruta notou que existiam uns pozinhos brilhantes que lhe pareciam pontas muito afiadas.
Curioso, aproximou-se mais um bocado. Vislumbrou uma luz pequena e radiosa. A sua curiosidade foi aumentando e Neblina Branca aproximou-se do local que pretendia, reparando que era um Xarroco.
Com medo, interrogou-se:
– Será que morri e agora estou a so-so-sonhar? Ou será realidade?
De repente o Xarroco acorda e pergunta:
– O que estás aqui a fazer?
– Eu-eu? Na-na-da! Por-por-por-quê?
– Porque ninguém entra aquiiiii! – respondeu o Xarroco ao Neblina Branca, enquanto nadava atrás dele.
Neblina Branca tentou fugir o mais rápido que podia, mas não conseguiu. O Xarroco apanhou-o.
– Ah! Ah! Ah! – riu-se o Xarroco com uma sonora gargalhada. – Já te apanhei! Não consegues fugir!
– Por favor! Não me comas! – implorou o barquinho enquanto perdia os sentidos.
Neblina Branca ficou assim durante algum tempo. Quanto ao certo, nunca soube. A determinada altura, começou a ouvir uma voz fininha, que parecia estar muito distante.
– Barco! Barco! – gritava um peixinho ao Neblina Branca.
– Onde é que eu estou? Quem és tu? – perguntou o barquinho, todo baralhado, enquanto ia recuperando lentamente a consciência.
– Eu sou a Nicoleta!
– És muito bonita! –balbuciou o Neblina Branca ao ver Nicoleta.
Nicoleta era um peixe fêmea. Tinha o corpo azul-marinho e as suas guelras eram roxas e brilhantes.
– Tu deves ser a “peixinha” mais bonita e simpática que eu já vi!
– Eu não me quero gabar, mas na minha zona chamam-me “Miss Simpatia” e “Miss Solidária”!
– Onde é que eu estou? – insistiu o peixinho.
– Estás no Canadá!
– Mas como é que eu vim cá parar?
– Não sei! Eu vi-te a navegar e achei estranho, por isso vim até aqui. Tentei acordar-te, mas não consegui. Depois fiz-te respiração boca-a-boca e acordaste.
– Ainda bem que viemos para este país! – exclamou o “Neblina Branca”. – Vamos para Toronto.
– Ok! Eu gosto de falar inglês, por isso vamos!
Chegaram a Toronto e vislumbraram um lago. Foram até lá e repararam que iam fazer uma regata.
A Nicoleta, muito entusiasmada, exclamou:
– Vamos participar!
– É claro! Quem é que perdia uma coisa tão fixe?
Então eles os dois seguiram os outros barcos. Passaram pelo Starbucks, onde beberam um chocolate quente, e por um canil, até que foram parar ao mar.
Chegaram ao alto mar, mas viram um remoinho.
– O que é aquilo? – assustou-se o “Neblina Branca”.
– Não sei!
Subitamente, o Neblina Branca foi sugado para o remoinho.
– Socorro! – gritou o barco para a Nicoleta.
A Nicoleta foi socorrer o “Neblina Branca”. Puxou tanto, tanto, mas tanto, que conseguiu.
– Fogo! Já estava a ver a luz ao fundo do túnel! – gozou ele com o que tinha acabado de acontecer.
– Não sejas parvo! – repreendeu-o a Nicoleta por estar a gozar com aquela situação. –Podias ter naufragado!
– Ainda bem que nos safámos desta!
Enquanto “Neblina Branca” dizia isto, avistaram um barco grande a virar-se sobre eles.
– Mas o que é aquilo?
– Parece-me o Titanic! – gritou “Neblina Branca”.
O barco virou por cima deles e o barquinho naufragou e desfez-se. Nicoleta morreu com um ataque do coração, por causa do susto.
A partir desse dia, nenhum barquinho nem nenhum peixinho voltaram a navegar até à Gronelândia.

Camila Neto, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura de um excerto da obra A máquina de fazer palavras, de José Vaz]

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A casa assombrada [da Inês Malheiro]

Os meninos continuaram o seu caminho até que Joaquim, apercebendo-se da lonjura da casa, pediu docemente a Maria que voltasse atrás para ir buscar os utensílios de acampamento.
Maria obedeceu ao irmão. Quando voltou, pôs-lhe a tenda  às costas e encolheu-se assim que um bando de pássaros saiu ruidosamento da copa de um árvore, que erguia os seus ramos como se fossem os braços de um monstro.
– Corre, Maria! – gritou Joaquim.
Os dois imãos correram velozmente em direção ao coração do bosque até que Joaquim travou, dando-se conta de que estavam perdidos.
Maria soluçou, chorando, mas parou assim que ouviu passos. Joaquim adotou uma posição defensiva, mas acalmou-se quando viu quatro jovens: Camila, Liliana, Inês e Gonçalo.
Os jovens ajudaram as crianças a encontrar o tesouro e, quando abriram o baú, descobriram uma carta onde estava escrito “A amizade é o maior tesouro!”.

Inês Malheiro, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir de um excerto da obra O Sol e o Menino dos Pés Frios, de Matilde Rosa Araújo]

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Neblina branca [da Inês Lomba]

No mar alto, o barquinho Neblina Branca, sozinho, pensava no seu dono, nos seus antigos amigos e no que lhe iria suceder.
Estava triste e desanimado. Sentia uma solidão enorme no coração, mas, ao mesmo tempo, considerava-se valente e corajoso por ter conseguido sobreviver a tudo o que lhe aconteceu.
Foi navegando no mar e houve um momento em que um polvo apareceu e lançou uma tinta roxa que invadiu os olhos do barco e que, por alguns instantes, o deixou sem ver nada. Nesses instantes o polvo tentou comê-lo, mas, de repente, apareceu um golfinho que, sem saber quem ele era, salvou o barco e o polvo não o conseguiu comer. Com medo o polvo fugiu.
Passado um bocadinho, o barco abriu os olhos e ao seu lado estava o golfinho que o salvou.
O golfinho tinha um sorriso como o Neblina Branca nunca antes vira, tinha uns olhos brilhantes, reluzentes, perfeitos, amorosos… tinha um corpo azul… O golfinho era lindo, verdadeiramente indescritível.
– Olá! – cumprimentou o golfinho. – Estás melhor?
– Sim, obrigado! Mas... Quem és tu?! – perguntou o barco espantado.
– Fui eu quem te salvou do polvo.
Foram conversando ao longo da viagem, empurrados por uma brisa suave, até que, subitamente, uma tempestade se aproximou e a maré, muito forte, levou o barquinho, que estava cansado de mais para contrariar a força da corrente. Mas o golfinho manteve-se sempre atrás dele, até chegarem a uma terra que ele desconhecia.
Olharam à sua volta e viram um barco muito grande, que na sua face lateral tinha escrito Paris. O barco e o golfinho pensaram logo que estavam nessa cidade, Paris.
De repente um homem pega no Neblina Branca e leva-o consigo.
O golfinho gritava:
– Não, não! Deixe-o em paz!
– Amigo! – chamava o Neblina Branca, suplicando por ajuda.
O golfinho foi-se embora, triste, sem esperança de encontrar um amigo igual ao barquinho.
Quanto ao Neblina Branca, o homem deu-o ao seu filho, que era bebé. Escusado será dizer que o bebé rapidamente o rasgou.
E é assim. Muitas vezes isto acontece na vida real, perder um amigo por causa de uma pessoa que não respeita os laços de amizade dos outros. 

Inês Lomba, 5.º A (E.B. de Vila Praia de Âncora) [criação original a partir da leitura de um excerto da obra A máquina de fazer palavras, de José Vaz]